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tierra
Fonte: http://www.elsalmon.co

“Em nenhum outro aspecto da vida, o horizonte de tempo do capitalismo é um problema mais agudo do que na área do ambiente global… O que poderia fazer uma sociedade capitalista sobre problemas ambientais de longo prazo, como o aquecimento global ou a redução da camada de ozônio?… Usando as normas de resolução do capitalismo, a resposta ao que deveria ser feito hoje para prevenir tais problemas é muito clara – não fazer nada. Por maiores que possam ser os efeitos negativos, daqui a cinquenta ou cem anos, o preço que se paga por provocá-los, no presente, é zero. Se o valor corrente das consequências negativas futuras é zero, então, segundo a lógica econômica vigente, nada deveria ser gasto hoje para prevenir que emerjam aqueles problemas distantes. Mas se os efeitos negativos forem muito grandes daqui a cinquenta ou cem anos, então será tarde demais para fazer qualquer coisa capaz de melhorar a situação, já que qualquer coisa a ser feita naquele tempo poderia somente melhorar a situação num futuro distante, de cinquenta ou cem anos. De modo que, se forem bons capitalistas, os que viverem no futuro também decidirão não fazer nada, não importa quão graves sejam seus problemas. Finalmente, chegará uma geração que não pode sobreviver no ambiente alterado da Terra – mas a essa altura será muito tarde para fazerem qualquer coisa e prevenir sua própria extinção. Cada geração toma boas decisões capitalistas, embora o efeito em rede seja o suicídio social coletivo.”

 

 Lester Thurow, O Futuro do Capitalismo,  1996.

refugiados

No mundo atual, ser capaz de contribuir para o bem-estar comum por meio do trabalho é como se fosse um privilégio. Neste mundo, a única maneira de construir uma vida parece ser ganhando dinheiro. Não qualquer rendimento, mas uma posição vantajosa e imerecida, um benefício extraordinário produzido à margem do valor que o trabalho gera. São os lucros gerados por grandes empresas através de regulamentos adaptados ou monopólios, que existem apenas por imposição legal, como a propriedade intelectual. São “incentivos” fixados e inflados pelos mesmos executivos que os recebem, ou propinas advindas do acesso privilegiado a determinadas posições e contratos, públicas ou privadas.

Este tipo de riqueza facilmente torna-se cumulativa e gera uma espiral de desigualdade quando o acesso à informação e educação depende da renda pessoal ou quando a competição garante que serviços sejam sistematicamente restritos, como rotineiramente faz o Estado em setores-chave como a energia, as telecomunicações ou na mídia.

Em um mundo de privilégios e propinas tudo parece um jogo de soma zero, onde alguém ganha porque outros perdem. A desconfiança de tudo e todos, instituições e indivíduos, é a norma.

David Ugarte  – https://lasindias.com/manifiesto-comunero  (versão livre)

economias de compartilhamento 

Existe hoje uma polarização em termos teóricos. Uma visão utilitarista e enraizada no pensamento econômico neoclássico irá conceber a economia do compartilhamento como um sistema onde “agentes racionais” se engajam em relações monetizadas de troca para uso eficiente de bens e serviços. O imperativo é o individualismo, a eficiência e a vantagem desse tipo de relação de consumo.

Uma visão não utilitarista e enraizada na sócio economia pluralista irá conceber a economia do compartilhamento como um sistema onde sujeitos se engajam em relações de produção e troca em razão do pertencimento a uma comunidade e razões não mercantis (honra ou sentimento de dever). O imperativo é o engajamento, a solidariedade e uma lógica de reciprocidade.

Rafael A. F