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doenca-coronaria

“O homem se sente garantido por uma superabundância de meios dos quais lhe parece normal abusar. Ao contrário de certos médicos sempre dispostos a considerar as doenças como crimes, porque os interessados sempre são de certa forma responsáveis, por excesso ou omissão, achamos que o poder e a tentação de se tornar doente são uma característica essencial da fisiologia humana.

Transpondo uma frase de Valéry, dissemos que a possibilidade de abusar da saúde faz parte da própria saúde” (Canguilhem, 1966/1978, p.162).

Leia no contexto onde foi citado : http://www.redehumanizasus.net/95048-acerca-do-normal-e-o-patologico-de-canguilhem-um-problema-contemporaneo#sthash.i2uMPLVC.dpuf

economias de compartilhamento 

Existe hoje uma polarização em termos teóricos. Uma visão utilitarista e enraizada no pensamento econômico neoclássico irá conceber a economia do compartilhamento como um sistema onde “agentes racionais” se engajam em relações monetizadas de troca para uso eficiente de bens e serviços. O imperativo é o individualismo, a eficiência e a vantagem desse tipo de relação de consumo.

Uma visão não utilitarista e enraizada na sócio economia pluralista irá conceber a economia do compartilhamento como um sistema onde sujeitos se engajam em relações de produção e troca em razão do pertencimento a uma comunidade e razões não mercantis (honra ou sentimento de dever). O imperativo é o engajamento, a solidariedade e uma lógica de reciprocidade.

Rafael A. F

 

 

augusto

Chamei de transformacionismo à ideologia perversa segundo a qual os seres humanos vêm com defeitos que devem ser consertados por alguma instituição hierárquica (seja uma escola, uma igreja, uma organização militar, uma corporação, um partido, um Estado ou algum tipo de ordem espiritual, seita, sociedade ou fraternidade). Essas instituições seriam, por um lado, espécies de reformatórios para educar as pessoas, quer dizer, ensiná-las, adestrá-las, domá-las; ou, por outro, ambientes para ensejar o seu desenvolvimento interior, colocando-as no caminho da sua evolução mental ou espiritual.

A perversão transformacionista adquiriu na modernidade outras formas, mais explicitamente políticas, a partir da crença de que a transformação das pessoas (no que elas não são) viria com a transformação da sociedade (no que ela não é, por meio da realização de alguma utopia autoritária que afinal “colocaria ordem na casa”). Essa transformação seria promovida pela intervenção consciente de uma militância política, social ou ambiental – sempre aglomerada em organizações hierárquicas – à qual caberia transfundir sua consciência para as massas ignorantes conduzindo-as em direção a um porvir radiante.

Esta ideologia é desconstituída com a aceitação de que devemos ser o que somos e não o que não somos (não há nada de errado conosco), de que não há nenhum lugar para ir a não ser aquele para o qual iremos (e que não pode ser conhecido de antemão por alguma organização de sábios, de seres mais conscientes ou mais evoluídos, possuidores de algum conhecimento superior dos mecanismos imanentes ou transcendentes à história) e de que as redes sociais distribuídas (as pessoas interagindo livremente) não são um instrumento para fazer a mudança mas já são a própria mudança.

Augusto de Franco

o que é disrupção?

Disrupção é um dos termos mais usados no dialeto da inovação e do empreendedorismo e muitas vezes com o significado errado: inovador, moderno, radical. O projeto Draft tem em seu site um canal chamado Verbete Draft  que explica estes termos  que são usados de forma tão aleatória e superficial que confundem a gente.  ( viva! 😉  ) Colei de lá o texto abaixo.

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Disrupção:

O que realmente é: Produto ou serviço que cria um novo mercado e desestabiliza os concorrentes que antes o dominavam. É geralmente algo mais simples, mais barato do que o que já existe, ou algo capaz de atender um público que antes não tinha acesso ao mercado. Em geral começa servindo um público modesto, até que abocanha todo o segmento.

Quem inventou o termo: Clayton Christensen, professor de Harvard. Ele se inspirou no conceito de “destruição criativa” cunhado pelo economista austríaco Joseph Schumpeter em 1939 para explicar os ciclos de negócios. Segundo ele, o capitalismo funciona em ciclos, e cada nova revolução (industrial ou tecnológica) destrói a anterior e toma seu mercado.

Para que serve: Para explicar a seguinte teoria: quando uma empresa lança uma tecnologia mais barata, acessível e eficiente, mirando margens de lucros menores, cria uma revolução. Deixa obsoleto quem antes era líder de mercado. É o oposto do que Christensen chama de “Inovações sustentáveis” — as que não chegam a criar um novo mercado e concorrem com outras empresas de forma mais tradicional. Para que os pioneiros não fiquem vulneráveis, a única saída seria fazer auto-disrupção. Um exemplo: a própria HP investindo em linhas de PCs populares antes que a Lenovo o faça. Segundo Christensen, algumas das características das inovações disruptivas são: margens de lucro menores, mercados-alvo menores e produtos e serviços mais simples, que não parecem tão atrativos quanto as soluções existentes quando comparados com métricas de perfomance tradicionais. –

Lá tem mais sobre disrupção: http://projetodraft.com/verbete-draft-o-que-e-disrupcao/#sthash.cqvMvxpC.dpuf

 

comunicação nos estudos culturais

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Então, a noção de comunicação sai do paradigma da engenharia e se liga com as «interfaces», com os «nós» das interações, com a comunicação-interação, com a comunicação intermediada. A linguagem é cada vez mais intermedial e, por isso, o estudo tem que ser claramente interdisciplinar. Ou seja, estamos diante de uma epistemologia que coloca em crise o próprio objeto de estudo. Porque acreditávamos que existia uma identidade da comunicação, que se dava nos meios e, hoje, não se dá nos meios. Então, onde ocorre? Na interação que possibilita a interface de todos os sentidos, portanto, é uma “intermedialidade”, um conceito para pensar a hibridação das linguagens e dos meios (MARTÍN-BARBERO, 2009, p. 153).

citado por Evaldo Pereira em The Game of Life: reflexões sobre um jogo da vida a partir da perspectiva comunicacional dos Estudos Culturais

produção biopolítica: 

Todo aquele que trabalha com a informação ou o conhecimento, dos agricultores que desenvolvem determinadas sementes aos criadores de softwares, dependem do conhecimento comum recebido de outros e por sua vez criam novos conhecimentos comuns. Isto se aplica particularmente a todas as formas de trabalho que criam projetos imateriais, como idéias, imagens, afetos e relações. Daremos a este novo modelo dominante o nome de produção biopolítica, para enfatizar que não só envolve a produção de bens materiais em sentido estritamente econômico como também afeta e produzem todas as facetas da vida social, sejam econômicas, culturais ou política.
Negri e Hardt (2005, p. 1)

capitalismo cognitivo

Com o conceito de capitalismo cognitivo, designamos então um sistema de acumulação no qual o valor produtivo do trabalho intelectual e imaterial se torna dominante e onde o eixo central da valorização do capital porta diretamente sua expropriação “através da renda” do comum e a transformação do conhecimento em mercadoria.
Carlo Vercellone e Antônio Negri

A passagem do fordismo ao pós-fordismo pode ser lida como a passagem de uma lógica da reprodução a uma lógica da inovação, de um regime de repetição a um regime da invenção. (CORSANI, 2003, p.15)

Conforme a autora (Antonella Corsani, o conjunto dessas condições é que evidencia aquilo que chamamos de capitalismo cognitivo. Aceitando a hipótese de que o capitalismo cognitivo opera sob o duplo eixo da inovação e da invenção, é importante evidenciar que o capitalismo industrial também mobilizava esses valores; entretanto, eles apareciam como exceção. No fordismo,

[…] a valorização repousava essencialmente sobre o domínio do tempo de reprodução de mercadorias padronizadas, produzidas com tecnologias mecânicas. (CORSANI, 2003, p. 17)

Roberto Rafael Dias da Silva em Políticas de escolarização e governamentalidade nas tramas do capitalismo cognitivo: um diagnóstico preliminar

Campo psicológico:

Um campo é definido como “a totalidade dos fatos coexistentes que são concebidos como mutuamente interdependentes” (Lewin, 1951, p. 240). As principais características da teoria de campo de Lewin podem ser resumido da seguinte forma:

1 – o comportamento é uma função do campo que existe no momento que o comportamento ocorre,

2 – A análise começa com a situação como um todo a partir do qual são diferenciadas as partes componentes, e

3 – a pessoa concreta de uma situação concreta pode ser representada matematicamente.

http://www.wynja.com/personality/lewinbib.html