Arquivo mensal: fevereiro 2017

A esperança, portanto, não está na conversão da velha forma Estado-nação (que – convenhamos – só deu plenamente certo quando moderada pela fórmula do Estado democrático de direito e em menos de trinta países).

A esperança está nas sociedades que vão continuar desejando experimentar a democracia, por fora das grandes e pequenas pirâmides, em novos arranjos societários de vida e convivência social. Daqui para a frente deveremos experimentar a democracia não apenas no Estado, mas também nas organizações da sociedade (como a família, a escola, a igreja, a corporação – incluindo a universidade e o sindicato -, o quartel, as organizações da sociedade civil, o partido e a empresa hierárquica).

Só assim será possível que uma nova onda democratizante ressurja no médio prazo, incidindo nas novas unidades de governança que surgirão independentemente do Estado-nação centralizador, como as cidades transnacionais, as cidades-pólo tecnológicas, as cidades-regiões, as redes de cidades e outros arranjos comunitários que, assumindo a direção autônoma do seu próprio desenvolvimento, constituirão também novas unidades políticas.

Esta será a terceira invenção da democracia: a desinvenção da fórmula única de democracia sonhada pelos modernos. Serão, necessariamente, muitas democracias e não apenas reproduções do modelo único da democracia representativa.

Augusto de Franco 18/02/2017

Leio o texto na íntegra

A democracia sob ataque terá de ser reinventada

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