Arquivo mensal: agosto 2016

Estourando bolhas de individualismo

157972533

“Nós estamos com dificuldade em investigar como que, dentro de uma cultura, estamos semeando e nutrindo as ações negativas. Isso caracteriza os tempos de degenerescência: os aspectos positivos vão entrando em colapso, não tem mandala, não tem visão, cada pessoa tenta se entrincheirar nas suas próprias individualidades ou pequenos grupos, para tentar resistir a um ambiente hostil e difícil. (…)

Então essas são as contradições dos tempos de degenerescência. Mas temos que entender o que isso não é. Cada pessoa que está atuando dentro disso não é uma pessoa do mal, ela é uma pessoa dentro de uma bolha, que tem um software operando. Ela pode perfeitamente trocar de software e trabalhar para isso. Mas isso também não é o trabalho.

É como se houvesse um ritmo; vem uma consciência coletiva que vai se dando conta disso, vai gerando outro movimento, aquilo vai invertendo e os tempos de degenerescência vão sendo sucedidos por tempos mais benignos. Essa alternância acontece porque as pessoas não tem realmente a fixação; elas estão dentro de bolhas e, por isso, são capazes de transmigrar para coisas melhores.

Por esse lado, vocês vão encontrar muitas pessoas lúcidas se organizando. Agora tem essas metas da ONU, 17 metas da ONU de qualidade, super bonito, não sei por que não tem uma mídia maior nisso. As nações se juntaram para gerar transformações cruciais no âmbito das relações, da igualdade de gênero, da proteção contra a violência, da proteção ambiental, etc. Então articulam metas, articulam algo no nível sutil. Trata-se do nível sutil porque essas metas não são medidas especificas, é uma transformação de consciência. Poderíamos gerar esses sonhos positivos e andar de um jeito melhor, isso seria super importante. É nesse nível sutil que precisamos andar, é a partir desse nível que se estabelecem também os infernos.

Então a ação irada corresponde a isso: não se render às aparências, não considerar que aquilo é assim mesmo, mas trabalhar para que as ações não-virtuosas não tenham êxito. Isso vem desde o ambiente macro até esse ambiente micro, da nossa própria ação, da ação das pessoas que estão ao nosso redor. Vamos cuidado disso: que as ações negativas, que produzem sofrimento para os outros seres, não se estabilizem como ações respeitáveis, para que aquilo não vire um processo de funcionamento aceitável.”

Lama Padma Samten

Leia na integra:  http://www.cebb.org.br/dissolucao-do-estado/

Anúncios

 

doenca-coronaria

“O homem se sente garantido por uma superabundância de meios dos quais lhe parece normal abusar. Ao contrário de certos médicos sempre dispostos a considerar as doenças como crimes, porque os interessados sempre são de certa forma responsáveis, por excesso ou omissão, achamos que o poder e a tentação de se tornar doente são uma característica essencial da fisiologia humana.

Transpondo uma frase de Valéry, dissemos que a possibilidade de abusar da saúde faz parte da própria saúde” (Canguilhem, 1966/1978, p.162).

Leia no contexto onde foi citado : http://www.redehumanizasus.net/95048-acerca-do-normal-e-o-patologico-de-canguilhem-um-problema-contemporaneo#sthash.i2uMPLVC.dpuf

refugiados

No mundo atual, ser capaz de contribuir para o bem-estar comum por meio do trabalho é como se fosse um privilégio. Neste mundo, a única maneira de construir uma vida parece ser ganhando dinheiro. Não qualquer rendimento, mas uma posição vantajosa e imerecida, um benefício extraordinário produzido à margem do valor que o trabalho gera. São os lucros gerados por grandes empresas através de regulamentos adaptados ou monopólios, que existem apenas por imposição legal, como a propriedade intelectual. São “incentivos” fixados e inflados pelos mesmos executivos que os recebem, ou propinas advindas do acesso privilegiado a determinadas posições e contratos, públicas ou privadas.

Este tipo de riqueza facilmente torna-se cumulativa e gera uma espiral de desigualdade quando o acesso à informação e educação depende da renda pessoal ou quando a competição garante que serviços sejam sistematicamente restritos, como rotineiramente faz o Estado em setores-chave como a energia, as telecomunicações ou na mídia.

Em um mundo de privilégios e propinas tudo parece um jogo de soma zero, onde alguém ganha porque outros perdem. A desconfiança de tudo e todos, instituições e indivíduos, é a norma.

David Ugarte  – https://lasindias.com/manifiesto-comunero  (versão livre)